segunda-feira, 2 de novembro de 2009


Perder alguém querido

Não há palavras para expressá-la.Não há livro que a descreva.

Por isso, o melhor jeito de consolar é falar pouco, orar junto,sentir junto e estar presente, cada um do jeito que sabe.

Palavras não explicam a morte de alguém querido.

Sabem disso o pai, a mãe, os filhos, os irmãos,
o namorado e a namorada,o marido e a mulher,
amigos de verdade.

Quando o outro morre, parte do mistério da vida
vai com ele.A parte que fica torna-se ainda mais intrigante.

Descobrimos a relação profunda entre a vida e a
morte quando alguém que era a razão,ou uma das razões, de nossa vida vai-se embora.

Para onde? Para quem?
Está me ouvindo?A gente vai se ver novo?
Como será o reencontro?

Acabou-se para sempre,ou ela apenas foi antes?Por que agora? Por que desse jeito?

As perguntas insistem em aparecer e as respostas
não aparecem claras.

Dói, dói, dói e dói...

Então a gente tenta assimilar o que não se explica.Cada um do jeito que sabe.

Há o que bebe,o que fuma, o que grita,
o que abandona tudo,o que agride, o que chora silencioso num canto,
o que chama Deus para uma briga,o que mergulha no fatalismo e o que, mesmo sem entender ou crer,
aposta na fé.

Um dia nos veremos de novo...
enquanto este dia não chegar,entes que eu amo sei que me ouvem e oram por mim,
lá, junto de Deus.

Para eles a vida tem, agora, uma outra dimensão.
Alcançou o definitivo.

Quem fica perguntando e sofrendo somos nós.

Mas como a vida é um riacho que logicamente deságua, a nossa vez também chegará e, quando isso acontecer, então não haverá mais lágrimas.

As que aqui ficaram chorando terão a sua explicação.

Por enquanto, fica apenas o mistério.

Alguém que não sabemos por que nasceu de nós e por
que cresceu em nós,por que entrou tão de
cheio em nossa vida, fechou os olhos e foi-se embora.

Quem ama de verdade não crê que se acabou.

A vida é uma só: começa aqui no tempo e continua,
depois, na ausência de tempo e de limite.

Alguém a quem amamos se tornou eterno.E essa pessoa já sabe quem e como Deus é.E também sabe o porquê de sua partida.

Por isso, convém falar com ela e mandar recados a Deus por meio dela.

Se ela está no céu, então alguém,além de Deus,
de Jesus e dos santos, se importa conosco.

Definitivamente,não estamos sozinhos, por mais que doa a solidão de havê-la perdido.

Mas é apenas por pouco tempo.Quem amou aqui,sem dúvida,se reencontra no infinito...

* * * * *

TEXTO: Pe. Zezinho, scjDo livro: Orar e pensar como família - Paulinas

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